Cuba pelo amigo Sérgio

Gente, recentemente meu amigo Sérgio de Sousa esteve em Cuba, na mesma época que eu mas não conseguimos nos encontrar por estarmos em cidades diferentes. Ele escreveu esse relato no face e eu pedi para compartilhar com vocês pois ele teve a mesma visão que eu tive de Cuba e dos cubanos

Estar em Cuba é mudar um pouco seu jeito de enxergar a vida e a sociedade, se você estiver aberto a isso, é claro! Nós vivemos uma sociedade onde o dinheiro que manda, o dinheiro que faz as turbinas girarem.. Essa necessidade de ter sempre mais, essa cultura de o que se tem não é o suficiente e que para ser feliz temos que ter tudo novo e/ou da moda, postar fotos no instagram, etc etc… 

Eu tive a sensação que os cubanos são muito mais sensíveis e se importam muito mais com a conexão humana, com o contato, com o ser e não o ter. Eu conheci pessoas pobres, e que mesmo assim, não pensavam duas vezes antes de ajudar o próximo e dividir o pouco que tinham. Pessoas que te enxergavam de verdade. 

Não dá para explicar, só convivendo você entende as diferenças de mentalidade. Meus amigos de lá disseram que Cuba já não é mais a mesma, e que está se tornando cada vez mais globalizada, é uma pena, e fico feliz de ter pegado pelo menos um pouquinho desta essência.

Não to aqui dizendo que Cuba é um país perfeito, tem sim muitos defeitos e muitas coisas para melhorar, como todos os outros. Mas é um país único e que vale a pena visitar. Eu achei o povo cubano livre e feliz. 
Sem mais delongas segue o relato do Sérgio:
“RELATO DE UM VIAJANTE EM APUROS EM CUBA
Sem perder a ternura. Jamais.
Curioso que sempre escrevo durante as minhas viagens, mas nessa ainda nao o tinha feito. Ainda. Hoje, durante o que diria ser os acréscimos do jogo, que já deveria ter terminado, estou quebrando meu silencio.
Se tudo tivesse corrido como o planejado, eu deveria estar a essa hora na Cidade do Panamá, no aeroporto, a espera da conexão que me levaria para São Paulo. Acontece que, por uma ação ingrata da minha operadora de cartão de crédito, minha reserva de volta foi cancelada. E fiquei lá, no terminal aeroportuário, quase sem dinheiro — e sem ter como sacar o que tenho no banco –, sem conexão com a Internet, sem nenhum contato de telefone (porque o meu quebrou) e, pior, sem saber o que fazer. Entrei em panico, claro. Voltei para a cidade (o aeroporto fica fora dela) só para usar a Internet, tentei com uma amiga resolver um novo voo e o meu tempo na rede acabou. Nao havia mais tarjetas para conexão no momento e corro pro aeroporto de novo na esperança que ela tivesse conseguido. Nao deu. Voltei novamente para o centro de Havana.
No taxi que me trouxe novamente, vendo a vida que passava por fora da janela, lembrei-me da felicidade que senti quando vi a capital cubana pela primeira vez, há 22 dias. Hoje, estava triste, nervoso, preocupado. Nao via mais beleza alguma naqueles carrões antigos e coloridos, que os locais chamam carinhosamente de máquinas.
Mas algo mudou logo após. A beleza que voltou a me encantar não foi mais a das paisagens exóticas, mas aquela que existe no coração de algumas pessoas iluminadas. Voltei a casa de família onde estava hospedado, torcendo para que o quarto ainda estivesse vago. Quando toquei a campainha e o casal de velhinhos dono da casa me recebeu e me olhou com espanto ao me rever assim tao cedo, não consegui segurar o choro. Estava sozinho e abalado com todos os contratempos. Eles me puseram de novo no quarto, que ainda estava vazio. Pediram-me que me acalmasse e me disseram que não estava sozinho nesse país. Que eles estavam comigo e que eu não deveria me preocupar. Trouxeram-me água, refrigerante, fizeram-me almoço e me avisaram: “Nós não estamos te alugando este quarto, nem vamos te cobrar por nada, nem estadia nem comida. Fique aqui como se esta fosse a sua casa e se sinta agora como um verdadeiro cubano, bebendo a água que bebemos — que é filtrada e fervida, e não a industrializada que te estávamos vendendo — e comendo a comida que comemos, que cozinhamos”. Insisti em pagar, pois ainda possuía alguma monta e, como resposta, tive: “dinheiro não é tudo. É importante para que possamos sobreviver, mas nao pode ser a coisa mais importante”.
Agora, frente ao computador do hotel mais próximo, pude entender um pouco mais sobre o que é, ou o que deve ser, o socialismo. Estou mais tranquilo, pois vejo que muitas pessoas podem até ter endurecido, mas não perderam a ternura. Jamais.
P.S.: Apesar dos contratempos, voltarei com as melhoras recordações de Cuba, país que me deu uma das férias mais inesquecíveis de minha vida.”
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