Perrengues

Eu consegui  realizar meu sonho de fazer um mochilão pela América do Sul, visitando o Peru, a Bolívia e o Chile! A viagem foi MARAVILHOSA, muito boa mesmo, conhecemos lugares inacreditavelmente bonitos, conhecemos muita gente bacana e interessante, comemos comidas diferentes e deliciosas, compramos, relaxamos, fotografamos, farreamos… Foi bom demais!
Mas claro que a viagem não foi perfeita, até porque se fosse, não teríamos tantas histórias para contar e depois que passa tudo vira piada! Passamos por tantos perrengues que fizemos uma lista! Como todo mundo gosta de uma pimentinha no olho alheio vou começar o relato da viagem pelos perrengues e depois eu falo das coisas boas nos próximos posts.

1º Perrengue: O esquecimento
Estávamos em Copacabana, na Bolívia, e queríamos ir para Uyuni. A Moça da agência explicou que não havia ônibus direto e que deveríamos fazer escala em La Paz, então compramos nossos tickets com 3 dias de antecedência.
No dia da partida não conseguíamos achar o tal ônibus para La Paz e quando finalmente o encontramos, estava lotado, eles simplesmente tinham vendido nossos lugares para outras pessoas. A mulher da agência simplesmente pegou nosso bilhete e devolveu nosso dinheiro (??) … Depois de muito stress conseguimos vaga em um outro ônibus, bem inferior ao “nosso”, mas estávamos felizes porque estávamos indo para la Paz e de lá poderíamos ir finalmente para Uyuni!
No meio do trajeto, o ônibus precisa atravessar o Titicaca, ele vai em uma balsa e os passageiros em outra. Como todos os ônibus saem de Copacabana no mesmo horário estava uma fila enorme mas entramos na fila, pagamos e cruzamos o lago. Ao chegar do outro lado nosso ônibus não estava lá, mas acreditamos que ele ainda iria atravessar, alguns ônibus depois percebemos que ele não iria atravessar, que ele já havia atravessado e nos abandonado lá! Afinal ninguém mais estava lá, só eu e Luiza e mais 3 alemães abandonados… Imagina nosso desespero, em uma cidade esdrúxula no meio do nada e sem nossas malas que estavam dentro do ônibus!!! 
Conseguimos fretar uma van para nos levar até a periferia de La Paz, mas ela era muito lenta, foram as 2 horas mais tensas da viagem inteira!!! Chegamos na periferia e pegamos um táxi até o ponto final do nosso ônibus original. Por sorte, a polícia estava esperando a gente do lado do ônibus, nós conhecemos umas Brasileiras e acredito que elas tenham dado nossa falta e chamaram a polícia, depois de muita discussão com o motorista retardado conseguimos nossas malas de volta, ficamos tão felizes que nem socamos a cara dele! E ele ainda disse que ficou nos esperando, e a mulher da agência só faltou chamar a gente de burra, dizendo como que a gente tinha perdido o ônibus! Vê se pode, o cara esquece 5 pessoas numa cidade e a culpa é nossa…
Mas no final conseguimos pegar um outro ônibus para Uyuni (chegamos na rodoviária 10 minutos antes da saída) e prosseguimos nossa viagem…

2º perrengue: Fazendo tour hospitalar
Eu passei mal duas vezes no Peru, uma acredito que tenha sido por causa da altitude, eu abusei da carne vermelha e gordura e fiquei passando mal os primeiros dias do ano, mas passou… O pior ainda estava por vir…
Em Arequipa fomos em um mercado muito bonitinho aonde vimos umas frutinhas já cortadinhas, eu tive um mau pressentimento e não quis comprar, a Lu que não aguentava mais biscoito comprou. A noite comemos as tais frutas. No dia seguinte tínhamos um passeio que saia as 3 da madrugada, para o Cânion de Colca, iríamos fazer um trekking lá. Acordamos as 2, e comemos mais frutinhas (ainda não tínhamos percebido sua vilania) e pegamos a van que nos levaria ao parque nacional. 
No meio do trajeto a Lu começou a passar muito mal e desmaiou no meio do nada dentro da van, a próxima cidade ficava a 1 hora de distância numa estrada cheia de curvas! Foi muito brabo!! Mas conseguimos chegar a Chivay, um pequeno vilarejo que tinha um posto de saúde, e a van largou a gente lá… A Lu foi super bem atendida, estava com infecção estomacal e tomou soro (que pingava tão devagar que demorou umas 8h para ela tomar 1 litro de soro), antibiótico e no fim do dia já estava melhor.. No dia seguinte conseguimos fazer a excursão pelo Cânion! O cara da agência é um sanguessuga que nos cobrou de novo o passeio, mas faz parte né, o que importa é que a Lu ficou bem e conseguimos conhecer o cânion!
Mas as frutinhas não se contentaram em derrubar apenas a Lu, quando voltamos para Arequipa comecei a me sentir muito mal e fui para Puno me sentindo bem mal, a primeira noite passei em claro sem sair do trono! Resultado: dia seguinte, hospital de novo… A mulher não queria me atender, perguntou se eu estava tão mal assim, imagina, to ótima, to perdendo um dia de passeio para vir conhecer um hospital peruano! Tive que fazer um circo para ser atendida.. Tomei 2 litros de soro, antibiótico na veia e fiquei bem no final do dia (após uma ameça que se não me recuperasse passaria a noite internada)! Ficamos as duas a base de antibiótico, mas com fôlego extra! 
Graças a Deus no fim deu tudo certo mas foi brabo, as condições dos hospitais eram muito precárias, a higiene era bem reduzida, o banheiro e tudo era muito sujo, não se trocava as roupas de cama entre um enfermo e outro, para chegar na enfermaria você passava dentro da sala de cirurgia, rutz! Mas sobrevivemos!! 
p.s O hospital lá era “público” mas você paga um valor bem baixo para consulta (uns 30 reais), exames e medicamentos. O antibiótico que eu paguei 300 reais aqui no Rio, eu paguei menos de 2 reais no Peru…
3º Perrengue: Perdendo o vôo

Estávamos em San Pedro do Atacama e fizemos um passeio para observar as estrelas, o céu de lá é incrível, aprendemos muitas coisas sobre as constelações, via láctea,  observamos planetas através de telescópios, foi show!! O problema é que voltamos mais de 2 da manhã para o albergue, e ainda tinha um grupo de brasileiros super legais no nosso albergue e ficamos conversando até umas 4, e tínhamos que acordar no ” dia seguinte” as 6 da manhã! Você acordou? Nem nós! 
Na verdade acordamos e acendemos a luz acreditando que íamos acordar aos poucos, doce ilusão, só acordamos às 8:40! O problema maior é que o aeroporto fica em outra cidade, Calama, e perdemos o ônibus que saia as 7:30.. Tentamos pegar um táxi, mas não haviam poucos e os que haviam não queriam nos levar! Quando finalmente encontramos um, já estava tarde demais, não chegaríamos a tempo…
Voltamos para o albergue e tentamos comprar outra passagem, mas estavam muito caras na LAN, mais de 1000 reais e nas outras cias aéreas, os sites não funcionavam, até pedimos para uma amiga no Brasil (valeu Lu!) tentar comprar, mas ela também não conseguiu.. Desistimos de comprar e decidimos ir pro aeroporto na cara e na coragem! Saímos correndo de São Pedro no próximo ônibus e chegamos ao aeroporto de Calama. Ao falar com o atendente da LAN, o mesmo me informou que nos encaixaria no próximo vôo disponível e o melhor de tudo: sem pagar nada!!! Sorte que não conseguimos comprar outra passagem…
O único problema foi que quase não conseguimos voltar para o Brasil, como perdemos um vôo da reserva eles cancelaram a mesma, e na hora de embarcar não conseguimos, tivemos que esperar o check-in terminar e se houvesse vagas conseguiríamos… Por sorte tinha vaga, e voltamos sãs e salvas ao Brasil depois de tantos perrengues!!
4° Perrengue: Ônibus e Albergues

Fora os problemas já citados com ônibus, também tivemos outros problemas… No Peru era bacana que todos os ônibus antes de sair da rodoviária eram checados, e eles tiravam fotos e pegavam a impressão digital de todos os passageiros, até aí estávamos nos sentindo muito seguras… O problema é que os motoristas são uns doidos, andam no meio da rua, tiram fino de todos os carros e acham que buzina resolve tudo, muito tenso!! Eu geralmente dormia nas viagens mas a Luiza ficava acordada tensa do meu lado com as manobras loucas dos motoristas, e um dos ônibus ainda tinha uma goteira terrível em cima das nossas cabeças!! Passamos maus bocados nas estradas peruanas e bolivianas.. 
Os albergues também muitas vezes eram tristes.. Em Cuzco nosso quarto era muito frio, sério parecia mais frio dentro do quarto do que fora dele, tinha um buraco no teto tapado que parecia um freezer! E para piorar dois dias não teve água quente, eu quase tive hipotermia, fazia muito frio e a água gelada me fez muito mal…   Na Isla del Sol, a cidade estava lotada e alguns albergues disponíveis, o quarto só tinha um colchão, sem lençol, sem cobertor, sem nada!!! A gente acabou ficando num outro que era super caro mas tinha cama (luxo para o local) e zero de água quente, mais um dia de banho frio…
Mas então descobrimos que estávamos reclamando de boca cheia, no tour que vai para o Salar de Uyuni e para o deserto da Bolívia, os albergues nem água tinham!! No primeiro dia tomamos banho de balde, e no segundo tivemos que ir em um outro albergue que tinha água (meio fria meio quente mas dava para tomar banho), agora imagina um banheiro sem água para 20 pessoas usarem..trash!! A gente ainda deu um jeito de tomar banho, uma galera da nossa excursão passou os 3 dias sem banho e sem escovar os dentes..Eca!! Esse mesmo albergue também não tinha luz durante a madrugada, e o medo de ir no banheiro a noite naquele lugar estranho???
5° Perrengue: Simpatia

Isso foi uma ironia! As pessoas no Peru e na Bolívia são muito reservadas, algumas poucas são simpáticas mas a maioria é bem fechada… Na rua quando tentávamos pedir informação as pessoas simplesmente fingiam que não nos ouviam, falávamos a alguns poucos centímetros de distância e elas continuavam fingindo que não estávamos lá.. O atendimento nas lojas e restaurante também era muito frio, eles chegam a ser meio grossos sabe.. Mas é o jeito deles mesmo, claro que houveram exceções…
O nosso guia no tour do Uyuni era super grosso, ele vivia dando esporro na gente porque ele queria que conhecêssemos o Salar em 15 minutos, não dá né? Eu saio do Brasil para ir ver o Salar e ele me dá 15 minutos?? Ele não queria deixar a moça na frente dormir falando que era perigoso, deu a maior bronca num outro dia porque comemos o lanche de um outro guia, não explicava nada, a gente perguntava e ele respondia com monossílabas… Super diferente dos guias brasileiros que geralmente são super simpáticos.. Mas é uma questão de cultura e acabamos nos acostumando…
No Chile era o contrário, as pessoas tiravam o celular do bolso para te ajudar, mudavam o caminho, super simpáticos! Os brasileiros que encontramos pelo caminho também eram maravilhosos, teve brasileiro que nos alimentou quando estávamos com fome, que emprestou toalha, que ofereceu lanche, que tirou foto, que chamou a polícia para cuidar das nossas malas…. Brasileiro é muito gente boa mesmo!!!
Bom esses foram alguns perrengues da viagem, houveram alguns outros também… Mas foi o que eu disse, também houveram muitas alegrias e aventuras que vou tentar contar nos próximos posts… Esses problemas são histórias para contar que tornaram a viagem ainda mais inesquecível! 🙂
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